Quantos voltam pra sua próxima festa? A gente contou
A venda de hoje é fácil de ver. O público que volta é o que sustenta a série, e quase ninguém mede com o mesmo cuidado.
Toda festa tem dois públicos: quem está descobrindo você agora e quem já foi antes e voltou. O primeiro custa mídia. O segundo já te conhece, já gostou, e é muito mais barato de trazer de novo. Só que a maioria das produtoras mede evento por evento e nunca junta as pessoas entre as edições. Aí não dá pra saber quem voltou, nem quantos.
A gente juntou. Na nossa própria base de eventos, dá pra acompanhar a mesma pessoa por vários anos e ver quantas vezes ela comprou. O resultado é uma foto honesta de retenção que quase ninguém no ao vivo tem.
O que a base mostra
São 136 festas em cerca de dez anos, quase 19 mil pessoas únicas identificadas. Quando você olha por pessoa, e não por evento, a pirâmide aparece:
Traduzindo: de cada três pessoas que passaram por uma festa, uma comprou de novo em outra. Parece pouco? Não é. Num mercado que trata todo evento como um recomeço, um terço de recompra é a base que carrega a série. E aquele topo pequeno, os 2% que voltam sempre, é quem enche a pré-venda, leva os amigos e defende a marca sozinho.
Cada camada pede um jogo diferente
Tratar todo mundo igual desperdiça as duas pontas. A pirâmide sugere o contrário:
- Foi uma vez — o objetivo é a segunda. Lembrete da próxima edição no perfil que ela já mostrou gostar, sem esperar ela lembrar de você.
- Voltou (2+) — já tem hábito. Pré-venda e lote inicial pra ela é retorno quase certo. É onde a régua de relacionamento paga.
- Superfã (5+) — não precisa de desconto, precisa de reconhecimento. Acesso antecipado, um mimo, um convite. Custa pouco e rende muito.
O cruzamento que ninguém faz
A parte mais valiosa não é o total, é o cruzamento entre eventos. Quem comprou a série A e nunca foi na série B é um público pronto, que já confia na marca e ainda não conhece o outro produto. Numa base unificada isso é uma lista. Em planilhas soltas por evento, é invisível.
Por que a plataforma não te conta isso
A bilheteria conta ingresso, não pessoa. Ela sabe que vendeu 800 numa noite, mas não sabe que 250 daquelas 800 já tinham ido a outras três festas suas. Pra enxergar retenção você precisa de uma base canônica: a mesma pessoa reconhecida entre eventos, séries e cidades. Sem isso, todo evento parece o primeiro, e você paga mídia nova pra falar com quem já é da casa.
Veja quem volta, e quem não voltou ainda.
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