CRM, mídia e I.A. em 90 dias no calendário de quem produz evento
Não é um projeto de tecnologia. É a decisão de escolher o que importa, em ordem, e construir só isso enquanto a próxima festa continua vendendo.
A integração entre CRM, mídia e I.A. falha quando começa pela ferramenta. Alguém compra uma plataforma, conecta tudo e descobre seis meses depois que ninguém confia nos dados. No entretenimento ao vivo esse atraso tem preço explícito: seis meses são vinte fins de semana, e cada um deles foi decidido no escuro.
O roteiro abaixo é o inverso disso. Começa pelas decisões, passa pelos dados e só termina na automação. Ele cabe em noventa dias porque o calendário do setor não dá mais que isso, e porque projeto que não entrega nada em duas semanas perde a atenção de quem opera.
- 01Mapa das decisões da semana, com nome de quem decide e o número que hoje falta para decidir.
- 02Base canônica de pessoa: a mesma pessoa reconhecida entre edições, séries e cidades, com tratamento de duplicata e de e-mail digitado errado.
- 03Uma fonte de verdade para origem de venda, e só uma. Marcação padronizada em todo link de divulgação.
- 04Série histórica organizada por edição: venda, check-in, receita, gasto de mídia e ficha da noite.
- 01Painel de venda por dia relativo à data da festa, comparado com a edição anterior e com a faixa histórica da série.
- 02Segmentos de CRM em produção: quem foi uma vez, quem voltou, quem comprou de outra série e nunca veio nesta.
- 03Régua de relacionamento com prazo definido pelo próprio dado: na nossa base, a mediana entre a primeira e a segunda compra é de 154 dias, e é nesse trimestre que a conversa precisa acontecer.
- 04Mídia recebendo sinal do CRM: público de quem já comprou fora da campanha de aquisição, para parar de pagar por quem já é da casa.
- 01Primeiro agente em produção: leitura diária das contas e da venda, com alerta de desvio contra o ritmo esperado.
- 02Triagem automática de comentário e direct por intenção, com encaminhamento para quem responde.
- 03Modelo simples de propensão de recompra para priorizar quem recebe pré-venda.
- 04Revisão do que ficou de fora e por quê, com data para revisitar.
Personalização avançada, pontuação complexa de lead e integração com mais de três ferramentas. Isso é mês quatro em diante, se os três primeiros provarem valor.
A ordem não é arbitrária, e o dado explica cada escolha. A base canônica vem primeiro porque sem ela não existe segmento, e sem segmento a mídia continua comprando gente que já é sua. O painel por dia relativo vem antes da automação porque metade dos pedidos entra na última semana: um alerta automático sobre um número que ninguém sabe ler produz ansiedade, não decisão.
Sobre a I.A. no mês três, uma ressalva que a pesquisa do MIT deixou clara em 2025: iniciativas que não têm contexto da operação não entregam retorno, e foi assim em 95% dos casos revisados. O agente do mês três funciona porque chega depois de dois meses de organização. Ligado no mês um, ele seria uma demonstração bonita alimentada por planilha solta.
Noventa dias é tempo suficiente para provar que o sistema funciona. Não é tempo suficiente para construir tudo. Essa diferença é o método.
No fim do terceiro mês, o entregável não é um relatório de projeto. É uma operação que decide mídia com número na quarta-feira, um CRM que sabe quem voltou e um agente que avisa quando a venda sai da faixa. O que vem depois é evolução, e evolução é barata quando a fundação está de pé.
- Decisões primeiro, ferramenta por último. Seis meses de projeto são vinte fins de semana decididos no escuro.
- Base canônica de pessoa e fonte única de origem são pré-requisito de qualquer automação.
- A régua de relacionamento segue o dado: mediana de 154 dias entre a primeira e a segunda compra na nossa base.
- O que fica de fora é escolha declarada, com data marcada para revisitar.
- 01Base própria da Encore: 19.970 pessoas, 72 noites com lista nominal, apuração de 11 de setembro de 2026
- 02MIT Media Lab, Project NANDA, The GenAI Divide: State of AI in Business 2025
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