A base é sua: governança de dados sem burocracia
Governança soa como comitê e política de quarenta páginas. Para um time de marketing de evento, são cinco regras que cabem num post-it e uma cláusula que cabe no contrato.
O sintoma é sempre o mesmo: dois relatórios, dois números diferentes para a mesma métrica, e uma reunião inteira gasta descobrindo qual está certo. A causa quase nunca é técnica. É a ausência de acordo sobre definição, dono e fonte.
- 01Toda métrica tem definição escrita e um dono com nome. Público é ingresso aprovado ou ingresso emitido? Alguém decide e registra.
- 02Toda origem de venda tem uma fonte de verdade, e só uma. Se a plataforma e o painel divergem, está escrito qual manda.
- 03Nomenclatura de campanha segue padrão validado na entrada, não corrigido no relatório.
- 04Mudança de definição é comunicada antes, com data de corte. Série que muda de régua no meio vira comparação falsa.
- 05O que não informa decisão é arquivado. Painel com métrica órfã ensina o time a ignorar painel.
Cada regra elimina uma discussão recorrente. Juntas, devolvem ao time a confiança de agir sobre o número sem conferir três vezes.
Existe uma sexta regra, e ela é a mais importante num mercado pequeno como o nosso: a base é de quem produz o evento. Quem organiza a festa é quem tem relação com quem comprou o ingresso, e essa relação é o ativo mais durável da operação. Plataforma de venda muda, agência muda, painel muda. A lista de quem já foi e voltou é o que sobra.
- 01Onde ela está, em que formato, e como eu exporto tudo hoje se precisar.
- 02Quem mais tem acesso, e o dado de um cliente pode ser cruzado com o de outro em algum ponto do sistema.
- 03Se eu encerrar o contrato, o que acontece com a base e em quanto tempo recebo a confirmação de exclusão.
No nosso caso essa pergunta vem antes de o cliente fazê-la, porque nós também produzimos evento. A regra está escrita: cada operação roda em ambiente separado, com acesso próprio; o dado de um cliente não alimenta campanha, estudo nem produto da casa; nada é vendido ou compartilhado com terceiro; e a exclusão é pedida e confirmada, sem prazo de carência para segurar a base. Quem trabalha com dado de público num mercado onde todo mundo se conhece precisa dizer isso em voz alta, e depois sustentar no contrato.
A LGPD entra por cima disso, com finalidade declarada e base legal para cada uso, e o tratamento de dado de comprador exige cuidado real: e-mail, telefone e documento saem de qualquer relatório que circula, e acesso é por pessoa, não por link compartilhado. Não é obstáculo à operação. É a condição para poder usar a base por muitos anos sem sobressalto.
Há ainda um argumento novo a favor de arrumar a casa, e ele vem do lado da I.A. A Andreessen Horowitz aponta a entropia dos dados corporativos como o gargalo real dos agentes: informação presa em PDF, print, planilha solta e conversa de aplicativo. Agente nenhum lê isso com confiabilidade. Antes de contratar inteligência, vale garantir que a operação produz dado estruturado, que é a parte do trabalho que ninguém posta no LinkedIn.
Governança boa é a que ninguém percebe que existe. A reunião simplesmente para de ser sobre qual número está certo.
- Definição escrita, dono com nome e fonte única resolvem a maior parte dos conflitos de número.
- Valide nomenclatura na entrada. Corrigir no relatório é trabalho recorrente que nunca termina.
- A base é do produtor: pergunte onde ela está, quem acessa e o que acontece na saída antes de assinar.
- Dado bagunçado é o gargalo dos agentes de I.A., e arrumar isso vem antes de contratar inteligência.
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